Projeto Amazônia Conectada: avanços em fibra ótica beneficiam comunidades afastadas

Projeto Amazônia Conectada: avanços em fibra ótica beneficiam comunidades afastadas

O Projeto Amazônia Conectada (PAC) consiste em implantar infraestrutura de fibra ótica nos leitos dos rios da Amazônia e em trechos terrestres para interligar as organizações militares. Sob coordenação do Ministério da Defesa, a iniciativa viabiliza o acesso a conexão de internet e encontra-se no 4º estágio de execução. Trata-se de um esforço interministerial entre o Ministério da Defesa, Ministério das Comunicações e Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação.

Nesta terça-feira (21), o Vice-Chefe do Departamento de Ciência e Tecnologia do Exército (DCT) do Exército, General Decílio de Medeiros, apresentou os avanços do PAC a representantes do Ministério da Saúde e da Educação. O encontro ocorreu no 4º Centro Telemática de Área (CTA), do Comando Militar da Amazônia (CMA), em Manaus, Amazonas.

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Segundo o General Decílio, em função da união dos órgãos envolvidos, os benefícios do PAC se estendem a órgãos públicos parceiros e à sociedade civil, na medida em que estes utilizam-no para sua conectividade.

“Apesar de estar nas instalações do Exército, esse projeto não é do Exército. Existem recursos do Ministério da Educação, da Saúde, do Tribunal Regional Eleitoral do Amazonas, do ICMBio, entre outros parceiros”, enumerou o General.

O General Decílio e o Chefe do 4º CTA, Tenente-Coronel Marcel Augusto, detalharam que o desenvolvimento do Projeto Amazônia Conectada iniciou em 2014. De acordo com ambos, foram lançados cerca de 1.200 quilômetros de cabos subfluviais, chamadas infovias, nos rios Negro e Solimões. A rede está em operação nos municípios de Novo Airão, Barcelos, Iranduba, Coari e Tefé. E está ocorrendo a manutenção do Trecho Manaus-Coari com previsão de conclusão no primeiro trimestre de 2021.

Ao apresentar o projeto, o General Decílio abordou ainda os desafios tecnológicos e logísticos da construção da infraestrutura subaquática, a qual enfrenta a dinâmica das correntezas dos rios, os obstáculos naturais e, em caso de ruptura, o difícil reparo de cabos.

Durante o encontro, a equipe visitou as instalações nas quais o PAC é desenvolvido, no Centro Integrado de Defesa Aérea e Controle de Tráfego Aéreo IV (Cindacta IV), da Força Aérea Brasileira (FAB). A Aeronáutica compartilha a infraestrutura de vigilância do espaço aéreo com o PAC. No Centro de Operações de rede ocorre o monitoramento dos itens da configuração da infraestrutura da Amazônia Conectada, tanto terrestre quanto subaquática, garantindo a disponibilidade, a capacidade e segurança do tráfego de dados. A Marinha do Brasil contribui com o projeto por meio da viabilização de autorizações e licenciamentos para os estudos hidrográfricos necessários para instalações dos cabos subaquáticos.

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O grupo esteve ainda no Estaleiro Prates, onde acompanhou de perto toda a estrutura de cabeamento que se insere nos rios e tornam possível o Projeto Amazônia Conectada.

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O assessor técnico de Gabinete da Secretaria Especial de Saúde Indígena (Sesai), Carlos Lucélio Colares de Lima, representante do Ministério da Saúde, enfatizou que o PAC vai beneficiar as populações menos favorecidas e que vivem afastadas dos centros urbanos.

“Falar em conectividade e internet na região amazônica é sempre uma visão muito complexa por toda a dificuldade que temos aqui. No tocante a saúde, a gente vê a aplicabilidade da telessaúde nessas regiões que tem demanda reprimida e que tanto necessitam de saúde de qualidade”, disse durante a inauguração do Marco Histórico da Amazônia Conectada, no 4º CTA.

Educação
A Rede Nacional de Ensino e Pesquisa (RNP), organização responsável pela conectividade nas instituições de ensino superior e de pesquisas do Brasil, é parceira da Amazônia Conectada.

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“A Amazônia Conectada provê a infraestrutura, e os serviços serão geridos pelos próprios partícipes. Por exemplo, o Detran pode utilizar um sistema de câmeras inteligentes utilizando o sistema do PAC e o Estado pode fornecer serviços de internet para o interior”, explicou Renan Lopes, especialista da RNP.

O analista acrescentou ainda que o Amazônia Conectada representa uma evolução para a tecnologia brasileira, pois a infraestrutura implantada tem aproximadamente 90% de produtos nacionais e 10% estrangeiro. Apenas o cabo é importado da empresa norueguesa Nexans.

De acordo com o representante do Ministério da Educação, Dilermando da Silva, o projeto beneficia o ensino híbrido.

“O MEC apoia o projeto desde 2017. Com a pandemia, percebe-se que a educação vai mesclar o ensino à distância com o ensino presencial, então o Amazônia conectada é essencial”, pontuou.

Por Mariana Alvarenga
Fotos: Alexandre Manfrim

(MD ASCOM/FM)

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