Adestramento de Salto Livre capacita militares para atuarem em missões de risco

Adestramento de Salto Livre capacita militares para atuarem em missões de risco

O Adestramento Conjunto de Salto Livre Operacional para Forças Especiais, iniciado em 14 de setembro e previsto para encerrar no dia 23, capacita militares paraquedistas para atuarem em missões de risco. Primeiramente eles são treinados em solo, para depois serem lançados do avião. O treinamento em voos reais é realizado pela aeronave Hércules C130, da Aeronáutica.

Nesse preparo, eles praticam o chamado HAHO (High Altitude-High Opening), saltos desenvolvidos para operações secretas em território inimigo. O salto HAHO é um meio para realizar a infiltração: inserção do militar paraquedista em um ambiente, de forma escondida. Nessa modalidade, o avião voa em alta altitude, condição essa que interfere na escassez de oxigênio para respiração.

Os militares levam consigo cerca de 60kg de equipamento junto ao corpo. São eles: uma mochila, um fuzil, equipamento de comunicação, paraquedas principal e reserva, capacete, óculos e macacão de isolamento térmico, para suportar a alta temperatura. O HAHO é realizado tanto de dia, quanto à noite. O pouso ocorre em uma área não demarcada e não sinalizada.

Por ser uma atividade de risco, há longas fases de preparo e disciplina para a realização dos saltos. Os militares treinam em solo, por meio de simuladores, e nos ares, em saltos reais. Há cuidados, ainda, com a saúde dos paraquedistas e com o preparo dos equipamentos e da aeronave.

A Chefia de Planejamento do Comando de Operações Especiais é responsável por gerenciar o planejamento da operação. A equipe desse setor é responsável pelos equipamentos de segurança que serão utilizados durante o curso. “O nosso equipamento precisa estar manutenido, o pessoal deve estar preparado, a equipe de saúde é bem treinada para atividades de grande risco”, afirma o Tenente-Coronel B.M., Chefe da Sessão de Planejamento.

A Sargento Ranielle Raica Finatto, da Força Aérea, do Esquadrão Aeroterrestre de Salvamento, é uma das responsáveis pela manutenção de equipamentos na missão. Seu trabalho é essencial para a segurança dos militares paraquedistas, pois é ela que verifica todos os materiais, monitora a dobragem dos paraquedas e confere equipagem da aeronave, para que tudo esteja pronto para o salto.

“É uma atividade que exige muita responsabilidade, porque o salto à grande altitude exige bastante segurança e preparo. São feitos muitos treinamentos para que o militar se sinta confortável para executá-lo”, diz. A sargento explica, ainda, que cada treinamento é realizado com muita destreza e cuidado, para que nada saia do controle e todos cheguem em segurança ao solo.

Para o sucesso do salto, de acordo com a militar, o paraquedista precisa ter confiança no equipamento que carrega e estar preparado para a atividade. “O militar deve estar confiante e preparado. Tomamos todos os cuidados para que não ocorra nenhum tipo de procedimento que atente contra a segurança e para que nenhum tipo de equipamento deixe o militar na mão no momento em que ele precisa”, pontua.

Nesta segunda-feira (21), o lançamento de paraquedistas foi a 24 mil pés, o equivalente à 8km, um salto considerado de alta altitude. Para um salto nessas condições, existem alguns pré-requisitos de ordem médica. A médica da tripulação, pertencente ao Esquadrão Primeiro Grupo de Transporte (Esquadrão Gordo) da Aeronáutica, Capitão Juliana Vandersteen, explica que o paraquedista não pode estar resfriado, realizando tratamento dentário, possuir fratura recente ou doença febril. “Isso tudo pode resultar em doenças que surgem durante o voo, devido à diferença de pressão”, explica.

Para melhor bem-estar dos paraquedistas no voo, conforme a militar, antes de saltar eles fazem um tratamento em uma câmara hipobárica, no Instituto Médico da Aeronáutica (IMAE). Nesse ambiente eles vão conhecer sintomas que se apresentam em ambiente de alta altitude. “Cada um, nesse treinamento simulado, tira a máscara, em uma determinada altitude, para saber seus sintomas quando há diminuição de oxigênio no organismo”, esclarece. A Capitão Vandesteen explica que os militares paraquedistas podem sentir dor de cabeça, dormência, visão em túnel, entre outros, quem variam de pessoa para pessoa. Caso o militar apresente algum desses sintomas no voo, o médico acopla melhor a máscara de oxigênio e orienta respirar devagar.

Todos vão portar uma máscara de oxigênio, que os protege desses sintomas, mas caso ocorram, há dois médicos na aeronave – um na cabine com a tripulação, outro com os paraquedistas para monitorar qualquer sensação como essas. “Se surgirem esses problemas, eles são plenamente administráveis em voo. Se acontecer alguma coisa que não seja administrável, por exemplo, um paraquedista apresentar uma dor de dente insuportável, a missão é abortada para todos”, diz a Capitão.

Ela complementa: “E não é uma missão que eu possa, simplesmente, pousar e voar novamente. Se for em alta altitude, não posso voltar para o ar antes de 48 horas”. Dessa forma, dois dias antes do voo, é feita uma apresentação para relembrar a todos os cuidados com a saúde e identificar pessoas que tenham qualquer tipo de enfermidade, de modo a não prejudicar toda a equipe.

O voo

A aeronave voa despressurizada. Ao entrar no avião, o primeiro procedimento é fazer a desnitrogenação (retirada de nitrogênio do organismo), por cerca de 30 minutos. Após esse procedimento, é realizada a decolagem, para chegar na altitude desejada. Nesse momento, o avião realiza o circuito de navegação e, aos seis minutos para o lançamento, os militares são avisados para que fiquem atentos aos comandos. Realizada uma série de procedimentos, uma luz verde avisa que é chegado o momento do salto. Eles se posicionam em fila para deixar a aeronave, um por um.

Por Mariana Alvarenga
Fotos: SO Alexandre Manfrim / Cel Tomita 

(MD ASCOM/FM)

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *