Aeronáutica, Exército, Marinha, Ministério da Defesa — 22 de novembro de 2017 7:56 pm

Comissão de Gênero debate os avanços do ingresso das mulheres nas Forças Armadas

A Almirante Dalva Maria Carvalho Mendes foi a primeira mulher a se tornar contra-almirante da Marinha do Brasil

A Comissão de Gênero do Ministério da Defesa (MD) realizou, no dia 06 de junho, uma reunião com seus integrantes e representantes da Marinha, do Exército e da Aeronáutica, para debater os avanços do ingresso das mulheres nas Forças Armadas e apresentar a expectativa desse cenário nos próximos anos.
Na abertura da reunião, o chefe de gabinete do MD, Alessandro Candeas, saudou a todos e lembrou que, para o trabalho da Comissão, é preciso ter em mente a questão da meritocracia, que considera o mérito como a razão principal para se atingir posições de alta hierarquia. “Tendo sempre em mente o parâmetro incontornável e necessário da meritocracia, que é o critério basilar, que rege todo nosso trabalho, dentro desse critério que os espaços femininos sejam considerados”, afirmou.
O presidente da Comissão, brigadeiro Antônio Carlos Coutinho, agradeceu a presença de todos, e destacou a participação da almirante Dalva Maria Carvalho Mendes, a primeira mulher a se tornar contra-almirante da Marinha do Brasil. “Eu gostaria de enaltecer e agradecer a presença da almirante Dalva, nossa única oficial general pelas Forças Armadas. Espero que, em breve, tenhamos muitas outras mulheres sentadas nesta mesa”, disse o brigadeiro.

Marinha do Brasil

Em sua exposição, a almirante Dalva informou que já há, no Comando da Marinha, proposta de aumento da participação de oficiais e praças do sexo feminino na Força. “As mulheres poderão integrar quaisquer postos e cargos, cabendo ao comandante da Marinha fixar quais as escolas de formação elas frequentarão e quais as capacitações nas quais serão empregadas. A proposta ainda precisa ser aprovada”, disse a almirante.
Segundo o Comando da Marinha, elas poderão ocupar quaisquer corpos e quadros, servirão a bordo e na tropa, a partir do ingresso como oficiais nos Corpos da Armada (CA) e de fuzileiros navais (CFN) na Escola Naval (EN) e no Centro de Instrução Almirante Wandenkolk (CIAW), e, como praças, no Corpo de Praças da Armada (CPA).
A proposta prevê ações decorrentes, que deverão ser planejadas e executadas de forma que as oficiais do CA e do CFN iniciem seus “embarques”, no ano de 2023, e as praças do CPA, no ano seguinte. Nos estudos apresentados pela almirante Dalva, haverá opção de carreira diferenciada para aquelas mulheres que decidirem seguir as atividades não operativas da Força.
Essas mudanças exigirão gestão de pessoal, adaptações de navios e submarinos e a avaliação de capacidades requeridas.

Exército Brasileiro

Representante do Projeto de Inserção do Sexo Feminino na Linha de Ensino Militar Bélico, do Exército Brasileiro, o coronel Alexsander Markel destacou o fechamento de um ciclo de ingresso para as mulheres na Força Terrestre. “Fechamos um ciclo de todas as linhas de acesso pelo sexo feminino, a linha bélica, complementar, científico-tecnológica e a linha de saúde”, comentou.
Em 2017 foram matriculadas as primeiras mulheres na Escola Preparatória de Cadetes do Exército (EsPCEx), que serão as futuras cadetes da Academia Militar das Agulhas Negras (AMAN), em 2018. Também, neste ano, iniciou-se a primeira turma de mulheres sargentos combatentes, que farão parte das áreas de logística da Força, pela Escola de Sargentos de Logística (EsSLog), em 2018, e pelo Centro de Instrução de Aviação do Exército (CIAVEx), em 2019.
Segundo o coronel Markel, essas alunas tem tido convivência normal nas escolas, com destaque no desempenho disciplinar e de estudo. “Demostram responsabilidade, eficiência e adaptabilidade”, completou o militar.

Força Aérea

Em 2017 também foi o ano da entrada da primeira turma do sexo feminino na Escola Preparatória de Cadetes do Ar (EPCAR). Na reunião, o representante da FAB, tenente coronel Marcelo Vilela, enfatizou a preparação da Escola – equivalente ao ensino médio – para receber as alunas, na faixa etária dos 14 anos.
Entre essas ações, além da infraestrutura, estão a confecção de uniformes em tamanhos adequados, modificação de normas reguladoras e de normas de convivência.
“Essa turma que está entrando agora em 2017 e quando chegar em 2019, é que fechará todo o processo. Nós teremos a experiência da primeira turma e como elas vão se comportar como mais antigas”, afirmou.

Integrantes da Comissão e representantes das Forças estiveram na reunião para debater o ingresso das mulheres

A Academia da Força Aérea (AFA) formou suas primeiras aviadoras em 2006. Elas estão em todas as aviações: caça, transporte, helicóptero, reconhecimento, busca e salvamento, patrulha.
Hoje, as Forças Armadas possuem aproximadamente 347 mil militares, sendo que deste total, 28 mil são mulheres que atuam nas mais variadas funções. A Comissão de Gênero da Defesa, instaurada pela portaria nº 893, de abril de 2014, tem por objetivo propor e estudar ações para efetivação dos direitos das mulheres e igualdade nas Forças Armadas e no âmbito da Administração Central do Ministério da Defesa.

Foto:  Sgt Manfrim/MD

(MD ASCOM/ FM)

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