Instituto Pandiá debate a revisão das operações de paz da ONU

Instituto Pandiá debate a revisão das operações de paz da ONU

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O Ministério da Defesa, por meio do Instituto Pandiá Calógeras (IPC), promoveu no dia 25 de fevereiro, a Consulta Informal Latino-Americana para o Debate Temático de Alto Nível da ONU sobre Paz e Segurança Internacionais. O objetivo do encontro é debater ideias e trocar experiências latino-americanas sobre a revisão de conceitos e das Operações de Paz Organização das Nações Unidas (ONU) para subsidiar o Debate Temático da Assembleia Geral da ONU, com foco em paz e segurança internacionais, que será realizado em maio.
Durante todo o dia, foram apresentados quatro painéis que envolveram diversos pontos de atenção e tensões sobre paz e segurança, que deverão subsidiar a revisão das operações de paz da ONU. Para o chefe de gabinete do IPC, Juliano da Silva Cortinhas, o debate reuniu visões distintas. “Hoje aprofundamos pontos e visões dos analistas que compõem os países latino-americanos para verificar o que está faltando na mesa de debates e sobre como podemos mudar o olhar sobre estes temas. Esta reunião é importante para levar a perspectiva da América Latina, uma região relativamente estável, a diferentes contextos internacionais”, disse.
Ele ressaltou a necessidade de enfatizar a prevenção de conflitos. “É muito mais eficiente você prevenir o conflito antes que ele ocorra, quando ainda não causou um número grande de mortes. Para isso falamos sobre o sistema de alerta prévio. Ele deve atuar nesta prevenção”, acrescentou.
Essa reestruturação dos processos de paz e segurança da ONU será fundamentada a partir dos temas distribuídos nos quatro painéis apresentados. O painel introdutório, que contou com uma mensagem do Presidente da Assembleia Geral da ONU, o Sr. Mogens Lykketoft, ressaltou os objetivos da consulta regional e da importância da visão latino-americana para os processos de revisão de Operação de Paz, por exemplo. O segundo painel tratou das oportunidades e desafios para as Operações de Paz, especialmente nas necessidades de mudanças da própria ONU.
O terceiro tratou da consolidação da paz, assunto muito debatido no âmbito da ONU, o qual orienta que, em regiões de conflitos, se busque soluções locais envolvendo principalmente a população para que a paz seja sustentada, mesmo após guerras ou distúrbios.
O quarto e último painel tratou da agenda de mulheres, paz e segurança que aborda a proteção de mulheres, meninas e crianças em conflitos armados. O grupo debateu aspectos gerais, conceituais e medidas que podem ser implementadas e compartilhadas entre os países. Perspectivas latino-americanas em operações de paz e como estes países têm contribuído para esta agenda. Um ponto comum no debate foi a constatação da pouca ou da inexpressiva participação das mulheres em operações de paz.
Atualmente, cerca de 3% de mulheres de várias nacionalidades estão distribuídas nessas missões. E 1% de militares brasileiras.“Ter mulheres peacekeepers é muito importante porque a população local, principalmente as mulheres, se sente muito mais confiante e protegida em ter outras mulheres como pontos de interlocução para tratar das necessidades específicas das mulheres e meninas, especialmente, quanto a na missão para cuidar de questões de violências e assédios”, defendeu a pesquisadora do IPC, Mariana Fonseca Lima.
A situação do Brasil com relação à agenda de gênero, paz e segurança foi um dos tópicos da discussão. Foi mencionado que o País tem avançado no tema, mas ainda há alguns desafios a serem superados. O Brasil está elaborando o se Plano Nacional de Ação que vai incorporar os preceitos da Resolução 1325 do Conselho de Segurança da ONU que trata dos aspectos de proteção, prevenção e participação de mulheres e meninas em situação de conflito.
Ainda segundo Mariana, “no âmbito do Ministério da Defesa, houve avanço na incorporação das mulheres em muitos postos e na criação e atuação da Comissão de Gênero”. Após o encontro do colegiado será formulado um documento com propostas e conceitos que deverão ser levados para a assembleia geral da ONU, que acontece em maio deste ano, em Nova York. Essa reestruturação vai atingir todas as instituições que estão sob responsabilidade da ONU.
Além do instituto Pandiá, o debate teve como órgão organizador e articulador, o instituto Igarapé e mais dois institutos: o norueguês Norwegian Institute of International Affairs (NUPI) e o inglês International Institute for Strategic Studies (IISS). Participaram, também, representantes do Ministério das Relações Exteriores (MRE), da Chefia de Assuntos Estratégicos (CAE), e de embaixadas como a do Uruguai, Guatemala, Chile, Argentina e Colômbia.

Foto: Tereza Sobreira/ MD

(MD ASCOM/ FM)

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