Aeronáutica — 9 de janeiro de 2013 1:05 pm

Instituto Histórico-Cultural da Aeronáutica lembra os 30 anos da mulher na FAB

O Instituto Histórico-Cultural da Aeronáutica (INCAER) realizou, em 28 de novembro, o último “Encontro no INCAER” deste ano com uma homenagem aos 30 anos da entrada da mulher na Força Aérea Brasileira (FAB), no salão da própria instituição. A jornalista Lucita Briza – autora do livro “Ada: Mulher. Pioneira. Aviadora” – foi convidada para ministrar a palestra “Ada Rogato: pioneira da Aviação no país” e revelou aos presentes detalhes da vida de uma das primeiras aviadoras do Brasil. Colecionadora de recordes, Ada também atuou na Aviação Militar, quando patrulhou, durante a Segunda Guerra Mundial, o litoral paulista na área de Santos e arredores e foi instrutora de paraquedistas.
“Neste momento, não podemos deixar de reforçar os nossos cumprimentos às mulheres da Aviação, sejam civis e militares”, afirmou o Diretor do INCAER, Tenente Brigadeiro do Ar Paulo Roberto Cardoso Vilarinho.
Participaram do encontro oficiais aviadoras da primeira turma formada pela Academia da Força Aérea (AFA), sargentos de diversas especialidades da Quinta Força Aérea (V FAE) e da Terceira Força Aérea (III FAE) e representantes da Aviação Civil.
“Eu acho uma honra fazermos parte de um evento como este, que homenageia as primeiras mulheres a entrarem na FAB e termos a oportunidade de conhecer a vida de uma precursora da Aviação, como a Ada Rogato (foto ao lado). Graças a mulheres como ela estamos aqui neste momento”, afirma a Tenente Aviadora Juliana Barcellos, que depois de ser instrutora na AFA se prepara para pilotar o Boeing no Segundo Esquadrão do Segundo Grupo de Aviação (2o/2o GT), o Esquadrão Corsário. Além das aviadoras militares, estava presente no evento a Comandante da TRIP Linhas Aéreas, Bethania Porto Pinto.
“Eu sempre quis ser piloto e sou a única na minha família. Se para mim foi difícil começar na década de 1990, imagina o desafio para Ada e para outros pilotos em 1930, já que hoje em dia nós temos a tecnologia a nosso favor”, lembrou Bethania, que tirou o brevê aos 18 anos.
A observadora de busca e salvamento (SAR) do Primeiro Esquadrão do Segundo Grupo de Aviação (1o/1o GT), Esquadrão Gordo, Sargento Alcione Medeiros, reforça que o papel das mulheres está crescendo na Aviação Militar. “Nós, mulheres, estamos conquistando o nosso espaço e achamos justa uma homenagem como esta”, explica a Sargento Alcione.
Ada Rogato sempre viveu de desafios. Filha de imigrantes italianos, passou por dificuldades na adolescência depois de ter uma educação típica de meninas dos anos 1930, criadas para serem esposas e boas mães. Ada enfrentou a resistência familiar e tirou o seu brevê. Foi o início de uma série de desafios nos conhecidos “reides”, em que os pilotos, nos pequenos monomotores, disputavam quem percorria em menos tempo as maiores distâncias.
Assim como a contemporânea Anésia Pinheiro, Ada conquistou diversos títulos, como o de maior recordista em voos solitários sobre o Brasil e as três Américas, da Terra do Fogo ao Alasca. O seu companheiro era o Cessna 140A, batizado de “Brasileirinho”. A aviadora também coleciona recordes como paraquedista, sendo a primeira a saltar de paraquedas no Brasil, no Chile, no Paraguai e Uruguai.
“Ada foi uma mulher à frente do seu tempo e abriu caminho para as mulheres de nossos tempos. Em 1931, em uma entrevista para rádio, ela disse que queria mostrar a força da mulher ao pilotar uma aeronave e, realmente, mostrou isso ao mundo. Os seus feitos foram equiparados aos de grandes aviadoras do mundo inteiro”, conta Lucita.

(Agência Força Aérea/ FM)

 

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