Batalha Naval do Riachuelo

Esquadra brasileira

No início da Guerra da Tríplice Aliança, a Esquadra brasileira dispunha de 45 navios armados. Diversos dos navios do início da guerra foram projetados e construídos no País. Mais tarde, Arsenal de Marinha do Rio de Janeiro construiu navios encouraçados para o teatro de operação no Rio Paraguai.

Os navios brasileiros disponíveis antes dessa guerra eram adequados para operar no mar e não nas condições de águas restritas e pouco profundas que os Rios Paraná e Paraguai ofereciam. Além disso, esses navios, possuíam casco de madeira, o que os tornava muito vulneráveis à artilharia de terra, posi­cionada nas margens.

Antecedentes da Batalha

Coube ao Almirante Joaquim Marques Lisboa, o futuro Marquês de Tamandaré, o Comando das Forças Navais brasileiras na guerra do Paraguai. A Marinha do Brasil representava praticamente a totalidade do Poder Naval pre­sente no teatro de operações.

A estratégia naval adotada pelos aliados foi o bloqueio. Os Rios Paraná e Paraguai eram as artérias de comunicação com o Paraguai. As Forças Navais do Brasil foram organizadas em três divisões – uma permaneceu no Rio da Prata e as outras duas subiram o Rio Paraná para efetivar o bloqueio.

Com o avanço das tropas paraguaias ao longo da margem esquer­da do Paraná, Tamandaré resolveu designar seu Chefe do Estado-Maior o Chefe-de-Divisão (posto que correspondia a Comodoro, em outras Marinhas) Francisco Manoel Barroso da Silva, para comandar a Força Naval que estava rio acima.

A primeira missão de Barroso foi um ataque à Cidade de Corrientes, que estava ocupada pelos paraguaios. Não era possível manter a posse dessa ci­dade na retaguarda das tropas invasoras e foi preciso, logo depois, evacuá-la.

Ficou evidente, porém, que a presença da Força Naval brasileira deixaria o flan­co dos invasores sempre muito vulnerável. Era necessário destruí-la, e isso mo­tivou Solano López a planejar a ação que levou à Batalha Naval do Riachuelo.

A Batalha

A Força Naval Brasileira comandada por Barroso, estava fundeada no Rio Paraná próximo à Cidade de Corrientes. O plano paraguaio era surpreen­der os navios brasileiros, abordá-los e, após a vitória, rebocá-los para a cidade Paraguaia de Humaitá. Adicionalmente, a Ponta de Santa Catalina, próxima à foz do Riachuelo, foi artilhada pelos paraguaios. Havia, também, tropas de infantaria posicionadas para atirar sobre os navios brasileiros que escapassem.

Na manhã do dia 11 de junho, a Força Naval brasileira avistou os navios inimigos. Mezza se atrasara e desistiu de iniciar a batalha com a abordagem. A Força Naval paraguaia passou pela brasileira, ainda imobilizada, e foi se abrigar junto à foz do Riachuelo, onde ficou aguardando.

Após suspender, a Força Naval brasileira desceu o rio, em perseguição, e avistou os navios inimigos parados nas proximidades da foz do Riachuelo. Gra­ças a uma manobra inesperada, que tinha o intuito de cortar uma possível fuga dos paraguaios, Barroso acabou encalhando o “Jequitinhonha”. O primeiro navio da linha, o “Belmonte”, passou por Riachuelo separado dos outros, sofrendo o fogo concentrado do inimigo e, logo após, encalhou propositadamente, para não afundar.

Corrigindo sua manobra, Barroso, com a “Amazonas”, assumiu a van­guarda e efetuou a passagem, combatendo a artilharia da margem, os navios e as chatas, sob a fuzilaria das tropas que atiravam das barrancas.

Completou-se assim, aproximadamente às 12 horas, a primeira fase da Batalha. Até então, o resultado era altamente insatisfatório para o Brasil: o “Belmonte” fora de ação, o “Jequitinhonha” encalhado para sempre e o “Par­naíba”, com avaria no leme, sendo abordado e dominado pelo inimigo. Então, Barroso decidiu regressar. Desceu o rio, fez a volta com os seis navios restantes e, logo depois, estava novamente em Riachuelo. Tirando vantagem do porte da “Amazonas”, ele usou seu navio para abalroar e inutilizar navios paraguaios e vencer a Batalha. Quatro navios inimigos fugiram perseguidos pelos brasileiros.

Antes do pôr-do-sol de 11 de junho, a vitória era brasileira. A Esquadra paraguaia fora praticamente aniquilada e não teria mais participação relevante no conflito. Estava, também, garantido o bloqueio que impediria que o Paraguai recebesse armamentos do exterior, inclusive os encouraçados que encomenda­ra na Europa.

Foi a primeira grande vitória da Tríplice Aliança na guerra e, por isto, mui­to comemorada. Com a vitória em Riachuelo, a retirada dos paraguaios da mar­gem esquerda do Paraná e a rendição dos invasores em Uruguaiana, a opinião dos aliados era de que a guerra terminaria logo. Isso, porém, não ocorreu. O Paraguai era um país mobilizado e Humaitá ainda era uma fortaleza inexpugná­vel para aqueles navios de madeira que venceram a Batalha. A guerra foi longa, difícil e causou muitas mortes e sacrifícios. Foi nela, que brasileiros de todas as regiões do País foram mobilizados, conheceram-se melhor e trabalharam juntos para a defesa da Pátria. Consolidou-se, assim, a nacionalidade brasileira.

(CCSM/ FM)

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