Peacekeepers brasileiros que atuaram em Missões de Paz na ONU recebem homenagem

Peacekeepers
Peacekeepers desfilando no Quartel-General em Brasília

Usando a tradicional boina azul, símbolo da atu­ação pacífica das forças da ONU, cerca de 400 militares brasileiros que já participa­ram como mantenedores da paz em missões das Nações Unidas, em áreas de confli­to em todo o mundo, foram homenageados, no dia 27 de maio, às 11h, no QG do Exército (Setor Militar Ur­bano), durante solenidade que comemorava o Dia Inter­nacional dos Peacekeepers.

A Ordem do Dia do Ministro da Defesa, Nel­son Jobim, foi lida, durante a cerimônia, destacando a atuação do Brasil em mis­sões de paz no exterior. Houve, em seguida, deposição de flores em homenagem aos mantenedores de paz brasileiros que morreram em missão das Nações Unidas destinadas a mo­nitorar ou supervisionar cessar-fogos, tréguas ou acordos armis­tícios e combater a violência em áreas conflituosas.

Durante a solenidade, os peacekeepers desfilaram junta­mente com tropas da Marinha, Exército e Aeronáutica. Repre­sentantes diplomáticos de nações que contribuem com as ações de paz da ONU foram convidados para assistir ao desfile e participar das homenagens aos peacekee­pers. A solenidade foi coordenada pelo Ministério da Defesa.

No momento, existem 2249 peacekeepers brasileiros em mis­sões da ONU em todo o mundo. A última missão em que os pea­cekeepers brasileiros foram cha­mados a atuar foi a Força-Tarefa Marítima, aprovada pelo Minis­tério da Defesa, em janeiro deste ano, composta por 10 oficiais e praças da Marinha do Brasil, uni­dade que integra a Força Interina das Nações Unidas no Líbano (Unifil). A maior missão de paz de que o Brasil participa é a Missão para a Estabilização do Haiti (Minustah), iniciada em 2004. Atuam no Haiti, hoje, 2166 militares brasileiros.

Além de tropas militares no Haiti e da Força-Tarefa Marítima no Líbano, o Brasil possui no mo­mento funcionários ou observado­res militares em missões da ONU nas seguintes regiões do mundo: África Ocidental, 1 assessor mi­litar; Sudão, 20 observadores mi­litares e 2 funcionários; Libéria,1 oficial de ligação, 1 funcionário e 2 observadores militares; Costa do Marfim, 1 observador militar e 1 funcionário; Haiti, 23 funcioná­rios; Timor-Leste, 3 observadores militares; Chipre, 1 funcionário; e Saara Ocidental, 11 observadores militares.

O Brasil tem um históri­co relevante de participação em missões de paz da ONU. A pri­meira experiência foi o envio do Batalhão Suez, uma unidade de infantaria de cerca de 600 ho­mens ao Egito, de janeiro de 1957 a julho de 1967. A finalidade da missão, denominada 1ª. Força de Emergência das Nações Unidas (Unef 1) era evitar conflitos entre forças egípcias e israelenses. Du­rante os 10 anos em que partici­pou da tarefa, em Suez, o Brasil enviou cerca de 6300 homens ao local, tendo inclusive exercido o comando operacional da missão, de janeiro de 1965 a janeiro de 1966.

O Brasil também deu apoio à Força de Segurança das Nações Unidas na Nova Guiné Ocidental, que operou entre agosto de setembro de 1962, por meio do envio de dois observa­dores militares que atuavam no Batalhão Suez.

Seguem outros fatos que dão destaque à atuação do Brasil em apoio às missões da ONU: envio de um observador militar para a Missão do Repre­sentante Permanente da ONU na República Dominicana, de 1965 a 1966; envio de 10 observadores militares para a Missão de Ob­servação da ONU na Índia e no Paquistão, de 1965 a 1966; envio de 8 observadores militares para Angola de 1989 a 1991.

Durante a missão das Nações Unidas para a América Central, entre 1990 e 1992, o Brasil participou, com 21 ob­servadores militares, da tarefa de estabelecer a paz em El Sal­vador e da Missão Desminado, esta com o encargo de limpar os campos de minas na Nicarágua. De 1991 a 1995, o Brasil contri­buiu com 8 observadores militares,além de médicos e policiais, para a 2ª. Mis­são de Verificação das Na­ções Unidas em Angola.

Em El Salvador, entre 1991 e 1995, o Bra­sil deu outra contribui­ção de paz: enviou 67 observadores militares, além de policiais, médi­cos e observadores elei­torais. Contribuição ain­da mais forte foi dada a Moçambique, entre 1993 e 1994. Para lá foram envia­dos 26 observadores mili­tares, policiais, observado­res eleitorais e, entre junho e dezembro de 1994, uma companhia de infantaria de 170 militares.

Outras contribuições bra­sileiras foram destinadas a Uganda-Ruanda (1993 a 1994), antiga Iugoslávia (1992 a 1995), Angola (1995 a 1998), Croácia (de 1996 até hoje). O Brasil tam­bém participou de inúmeras mis­sões de paz sob a égide da Orga­nização dos Estados Americanos.

A ONU realiza dois tipos de operações destinadas a al­cançar a paz em áreas conflitu­osas internacionais. A primeira delas é denominada Força dos Peacemakers, que se diferencia dos Peacekeepers por ser uma imposição da paz por meio de in­tervenção militar. Deste tipo de operações o Brasil não participa em decorrência de dois princípios constitucionais que vedam esta intervenção: a autodeterminação dos povos e a não intervenção em assuntos que dizem respeito à so­berania de outras nações. O Brasil integra a Força dos Peacekeepers da ONU por se tratar de operação que, a exemplo do que atualmen­te no Haiti, busca a manutenção da paz e a reconstrução da infra­estrutura de países que passaram por conflitos internos.

(ASCOM/ Texto: José Romildo e Foto: Tereza Sobreira/ FM)

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