Jobim convoca empresariado a investir na indústria nacional de defesa

KC-390
Maquete do avião cargueiro militar KC-390, da Embraer

O Ministro da Defesa, Nelson Jobim, fez um chama­mento ao empresariado brasileiro para que invista na revitalização e no desenvolvimento da indústria nacional de Defesa. Segundo o ministro, ao contrário de décadas anteriores, o país se encontra atu­almente num momento propício para dar “um salto qualitativo” nesse setor, sobretudo em razão das mudanças ocorridas nos últi­mos anos no panorama político-econômico nacional.

Para Jobim, os esforços em­preendidos pelo governo na área de defesa têm elevado a sensibi­lidade das elites políticas brasilei­ras para a necessidade de o país se preparar para resguardar suas riquezas, tais como seus aqüífe­ros e sua capacidade de geração de energia renovável e não-reno­vável (com o petróleo do pré-sal).

Esse fator, aliado a outros aspectos como a estabilidade mo­netária, o aumento da presença internacional do Brasil, o incre­mento dos investimentos estatais na área militar e a existência de grupos empresariais capitalizados que começam a investir no setor, formam, na avaliação do minis­tro, a base necessária para susten­tar a revitalização da indústria de Defesa nacional.

O convite ao empresariado ocorreu durante palestra proferi­da por Jobim no dia 24 de maio aos integrantes do Conselho de Administração da Odebrecht, em São Paulo. Conhe­cida por sua atuação no segmento de infraestrutura, a empresa pro­moveu uma reorientação de parte de seus investimentos para o setor de Defesa. Recentemente, o gru­po adquiriu uma empresa espe­cializada na fabricação de mísseis e criou um braço organizacional para a área de defesa e tecnologia.

Durante sua exposição, o Ministro da Defesa lembrou as iniciativas que o Governo vem tomando para aperfeiçoar, institucionalmente, a defesa nacional. De acordo com ele, parte dessas iniciativas cabe essencialmente ao Estado, mas a parcela referente aos investimen­tos requer o envolvimento do se­tor privado.

Do ponto de vista do setor público, afirmou Jobim, há vá­rios avanços em curso, como a implementação de um plano de articulação e equipamento de de­fesa e de modificações na legisla­ção tributária e orçamentária com objetivo de dar previsibilidade ao setor. No entanto, pontuou o mi­nistro, o esforço necessário para modificar o atual estado da defe­sa não pode depender apenas do governo. “Todos os agentes en­volvidos nesse processo precisam contribuir para a construção da realidade almejada”, completou.

O Ministro cobrou mais agressividade das empresas na­cionais na exportação de produtos e serviços de defesa. Citando da­dos da Associação Brasileira das Indústrias de Materiais de Defesa e Segurança (Abimde), ele res­saltou o fato de que, no Brasil, apenas 132 empresas são filiadas à entidade, das quais somente 35 exportam o equivalente a R$ 1 bi­lhão, quantia mínima em relação ao que movimenta esse mercado no mundo: R$ 1 trilhão.

Jobim lembrou que, das 100 empresas melhor ranqueadas na área de defesa no mundo, apenas uma é brasileira, a Embraer, que figura na 95ª posição. Das dez primeiras, sete são americanas e três são associações de grupos europeus. “Esse fato sugere que os atores nacionais devam ter es­tatura e musculatura compatíveis com o grau de agressividade re­querido nessa faixa de mercado”, opinou.

Ao longo de sua explana­ção, o ministro chamou a atenção dos empresários para as oportu­nidades no campo internacional para as empresas brasileiras que atuam com defesa. Uma delas, ressaltou, está no atendimento de demandas da Organização das Nações Unidas (ONU) que vem adotando uma política de tercei­rização de suas necessidades por meio de main contrators. De acor­do com Jobim, embora esse mer­cado movimente cerca de US$ 6 bilhões, apenas 14 empresas brasileiras atuam nele, com uma participação de menos de US$ 1 milhão.

A outra oportunidade men­cionada pelo ministro decorre das tratativas no âmbito da União Sul-Americana de Nações (Unasul). Segundo Jobim, nesse fórum os países buscam complementarida­de e intercâmbio, prevalecendo, também no campo das relações comerciais setoriais, o relaciona­mento do tipo “ganha-ganha”.

O Ministro concluiu sua palestra manifestando sua con­vicção de que a modernização da defesa nacional, sobretudo de sua indústria, passa, inequivocamen­te, pela necessidade de um tra­balho conjunto entre governo e o setor privado nacional.

(ASCOM/ Texto: Luiz Gustavo Rabelo e Foto: Sargento Johnson Barros/ FAB/ FM)

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