Dia da Vitória

O Brasil foi diretamente envolvido na 2ª guerra mundial por­que a Alemanha e a Itália adotaram, conjuntamente, a estratégia de procurar negar o uso do mar a seus inimigos, principalmente por meio do emprego de submarinos. A escalada da guerra trouxe, para a costa do Brasil, submarinos alemães e italianos, que passaram a atacar e afundar navios mercantes brasileiros, com o propósito de interromper o transporte marítimo de mercadorias.

A imprensa internacional chamou o conjunto de combates na­vais que ocorreram no Oceano Atlântico de “Batalha do Atlântico”. O nome correto é Campanha do Atlântico. O Brasil era, então, um país de economia essencialmente agrícola e extrativista, mas possuía produtos que eram muito importantes para o esforço de guerra dos beligerantes, principalmente matérias primas tropicais.

Ele, por sua vez, precisava manter ativo seu comércio inter­nacional, que era em sua maior parte realizado por meio do mar, inclusive para transportar os combustíveis derivados do petróleo, ainda indisponível no País, e carvão de boa qualidade.

Nesse contexto global, foi praticamente inevitável o envolvi­mento do Brasil no conflito, o que foi formalizado por meio da decla­ração de guerra, em 31 de agosto de 1942, após vários afundamen­tos e mortes de muitos brasileiros.

A Campanha do Atlântico foi a campanha militar de maior duração na Segunda Guerra Mundial. Nela os submarinos nazi-fascistas afundaram mais de 2.600 navios mercantes e 175 navios de guerra aliados. Em contrapartida, só os alemães perderam 784 submarinos e com eles, 28.000 homens de suas tripulações, mais de 68% do total recrutado para sua arma submarina.

Operaram na costa do Brasil 27 submarinos alemães e 10 italianos, que afundaram 17 navios mercantes e um navio de guer­ra, o Navio Auxiliar Vital de Oliveira. Mas, considerando o Oceano Atlântico e o Mar Mediterrâneo, como um todo, ocorreram 33 ata­ques à Marinha Mercante brasileira, com um total de 982 perdas de vidas humanas, inclusive de militares do Exército Brasileiro, que es­tavam a bordo, sendo transferidos de um local para outro no reposi­cionamento das forças terrestres exigido pela defesa do território do País. A Marinha do Brasil perdeu três de seus navios nessa guerra, totalizando 486 marinheiros mortos. Desde o início das hostilidades coube à Marinha garantir o transporte marítimo internacional e de cabotagem. Como não havia ainda boas estradas, o suprimento das cidades brasileiras dependia fortemente do transporte marítimo de cabotagem e, com o ataque dos submarinos, correu-se um sério risco de desabastecimento no País, sendo mesmo necessário ra­cionar diversos produtos A estratégia adotada pela Marinha para manter o tráfego marítimo incluiu a formação de comboios de navios mercantes, protegidos por escolta de navios de guerra dotados com equipamento antisubmarino.

Foram comboiados 3.164 navios mercantes, em 575 com­boios. A Marinha contou com o apoio da Força Aérea Brasileira, que, juntamente com aviões norte-americanos, detectaram e afundaram submarinos inimigos ao longo da costa do Brasil. Os fortes do litoral, guarnecidos pelo Exército Brasileiro, exerceram a tarefa de dissua­dir tentativas de bombardeio das cidades que protegiam.

Em 1943, o Brasil resolveu, também, participar da guerra no teatro europeu e, de julho de 1944 a fevereiro de 1945, enviou, fra­cionada em quatro escalões, para a Itália a Força Expedicionária Brasileira (FEB), com um total de aproximadamente 25 mil homens.

O Brasil não estava preparado quando se viu envolvido pela Segunda Guerra Mundial. Suas Forças Armadas, porém, consegui­ram cumprir sua missão evitando que ocorressem maiores dificul­dades. Foi muito importante, então, o auxílio recebido dos Estados Unidos da América, que forneceu armamento adequado, essencial para que se alcançasse um bom êxito nesse conflito.

(CCSM/ FM)

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