Brasil e Argentina defendem adoção de estratégia comum de dissuasão por países sul-americanos

Brasil e Argentina
Nelson Jobim e Arturo Puricelli reunidos com representantes dos países Sul-Americanos

Os Ministros da Defesa do Brasil e da Argentina, Nelson Jobim e Arturo Puricelli, defen­deram no dia 12 de maio a adoção, pelos países sul-americanos, de uma estratégia comum de dissuasão. Segundo eles, para que possam manter sua soberania e continuar a proteger, elas próprias, as inúmeras rique­zas da região, é necessário que as nações sul-americanas adotem uma estratégia conjunta que seja capaz de demover eventuais ini­ciativas externas contrárias aos interesses do subcontinente.

A manifestação de am­bos os ministros foi feita duran­te o primeiro dia da III Reunião Ordinária do Conselho de De­fesa Sul-Americano (CDS), or­ganismo multilateral criado no âmbito da União de Nações Sul-Americanas (Unasul) como ins­tância de consulta, cooperação e coordenação em matéria de defe­sa.

Partiu de Jobim a inicia­tiva de levantar, no encontro, o tema da estratégia comum de dissuasão. Para reforçar seu pon­to de vista, o ministro brasileiro lembrou aos participantes que o continente Sul-Americano possui algumas das principais riquezas que, dentro de alguns anos, com o aumento da população mundial e o esgotamento de parte desses bens, poderão ser objeto da cobi­ça de outros povos.

Dentre essas riquezas, ci­tou o ministro, figuram os aquí­feros Guarani e da Amazônia, o potencial de produção de proteí­nas animais e vegetais, além das fontes renováveis de geração de energia. “O futuro vai exigir do subcontinente uma estratégia co­mum de dissuasão. Será que es­taremos preparados para isso?”, provocou Jobim.

Segundo ele, os países Sul-Americanos têm, atualmente, “vulnerabilidades sérias” em seus meios de defesa. Como exemplo disso, ele citou a situação exis­tente hoje em que diversas dessas nações, incluindo o Brasil, neces­sitam de comprar imagens de sa­télites geoestacionários de países de fora do subcontinente para fins civis e militares.

Para Jobim, somente a construção de um ambiente de confiança e cooperação mútua en­tre os países sul-americanos será capaz de reduzir as vulnerabilida­des existentes na região no campo da defesa, dotando-os de capaci­dade real de proteger as riquezas da maneira que julgarem melhor, para o bem de seus povos e toda a humanidade. “Temos que nos capacitar para dizer não quando a região tiver que dizer não”, afir­mou.

A manifestação de Jobim recebeu o endosso imediato do ministro argentino. Purcelli afir­mou que seu país compartilha com Brasil a ideia de que são os sul-americanos que devem garan­tir, para o bem de toda humani­dade, as rique­zas existentes na região. O representante argentino re­cordou o con­ceito que levou à criação da UNASUL, ba­seado na ideia central de es­tabelecer uma zona de paz e cooperação na região. “Temos um compromisso firme de traba­lhar pela unidade latino-america­na”, disse.

Além dos membros das co­mitivas do Brasil e da Argentina, integrantes de outros países, como Colômbia e Equador, também se manifestaram no sentido da ado­ção de iniciativas concretas que levem ao aumento da confiança entre as nações sul-americanas.

A III Reunião do CDS foi até o dia 13 de maio, em Lima, no Peru. Entre os assuntos que foram debatidos no encontro estão as tratativas para o desen­volvimento do centro de estudos estratégicos de defesa e mecanis­mos conjuntos para atuação das Forças Armadas sul-americanas em ações de defesa civil.

A criação do CDS foi proposta pelo Brasil e discutida pela primeira vez numa reunião de presidentes sul-americanos, em abril de 2008. O Conse­lho possui 12 estados-membros: Brasil, Argentina, Venezuela, Colômbia, Uruguai, Chile, Bolívia, Paraguai, Equador, Peru, Guiana e Suriname.

O organismo tem como objetivo central consolidar a América do Sul como uma zona livre, soberana e pacífica, base para a estabilidade democrática e para o desenvolvimento dos po­vos da região. Também é objetivo do Conselho fomentar uma iden­tidade sul-americana em matéria de defesa.

(ASCOM/ Texto: Luiz Gustavo Rabelo/ FM)

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